Apresentação

Um poeta em seu eterno revisar de rascunhos amontoados num terraço. Um alfaiate de palavras e seus remendos. Uma noite de lua cheia, um encontro inesperado. A noite última, tudo precisa ser feito antes da lua baixar. A batalha final de entrega à criação, da criação da entrega, o criador entrega-se…

“Lutar com palavras é a luta mais vã, no entanto lutamos, mal rompe a manhã…” (Carlos Drummond de Andrade). A luta com as palavras é a dinâmica que move os personagens até o limite de suas próprias vidas, nesta peça de Thales Paradela. Um poeta, que nunca terminar seus poemas, recebe a inesperada visita de um anjo e tem uma única noite para finalizar sua obra. Na construção e revisão dos versos, dilemas da criação artística aparecem na forma de um embate criativo. Durante o percurso, versos são montados e ganham, em sua manifestação oral, uma nova dimensão poética e dramatúrgica. O texto de Thales Paradela, que parte do livro “Pedra Curva Tempo” do mesmo autor, interage ainda com a poesia universal, trazendo à linguagem dramatúrgica versos de outros poetas caros ao autor.

Os atores Gilberto Behar, Thales Paradela e Eduardo Tornaghi (participação em gravação) são dirigidos por Rafael Sieg, da Cia de Teatro Íntimo. A direção conduz a narrativa através do jogo de ações físicas em intensa relação com o cenário de Chica Batella e Joana Passi, o qual confere diferentes significados aos objetos cênicos. A luz de Rodrigo Emanuel cria o clima da noite longa e suas batalhas, com explosões solares nos ápices criativos. A preparação de elenco, enfocada na oralidade poética ficou a cargo de Eduardo Tornaghi. A coreógrafa e bailarina Eliane Carvalho conduz a preparação corporal. Destaque para a trilha original de Marcello Magdalleno, em linguagem contemporânea que aposta nos arranjos de cordas, passeando pelos sons incidentais e distorções.

A peça tem duração de uma hora e propõe ao expectador uma imersão no universo criativo das palavras, seus potenciais e seus dramas. O espetáculo fez sua estreia numa primeira temporada no verão de 2013, na Casa da Gávea, passando pela FLIP e depois em uma  temporada com lotação esgotada todos os dias no SESC Tijuca.

O projeto conta ainda com um workshop gratuito de poesia falada. No palco do espetáculo, os atores da peça propõem exercícios e dinâmicas para que os participantes possa descobrir novos prazeres no falar poesia. Esta experiência vem da larga vivência dos atores no dizer poesias pelos Saraus da cidade e pretendeu, na expansão da experiência poética, alargar os espaços de relação e sabores do público com a poesia.